domingo, 1 de março de 2026

O euro é a nossa desgraça!

Quando em 1944, no complexo turístico de Bretton Woods, os EUA impuseram o dólar como moeda global, sabiam que estavam a criar uma ferramenta de domínio planetário. De facto, é por ainda hoje o dólar ser a base da economia mundial que os EUA podem impor sanções económicas a tantos países. Se a moeda universal fosse o bancor, como propôs Keynes, o sistema financeiro dos EUA seria apenas mais um entre tantos, e fechar os bancos americanos a um país seria para este apenas uma pequena inconveniência, e não a sentença de morte para milhões de cidadãos como é hoje.

A criação do euro teve a mesma base- a elite neoliberal europeia precisava de um instrumento de coerção sobre os países, particularmente os do sul. Só assim podia impor as suas políticas de austeridade, só assim podia forçar a privatização dos setores estratégicos nacionais, umas e outra destinadas a permitir a acumulação crescente de capital nas mãos da oligarquia. O controlo da moeda é o mecanismo que possibilita a implementação das políticas neoliberais.

O que se passa agora com a SATA ilustra bem o processo.

Os neoliberais não permitem que o Estado apoie uma empresa que presta um serviço público essencial. Num espantoso atentado à soberania e à autonomia regional, a UE “autorizou” o Governo Regional a injetar dinheiro na SATA, com a condição de que a companhia fosse desmantelada e vendida às peças. 

Não interessa que a integração vertical (transporte + handling) faça sentido económico. Não interessa que a posse pública de uma companhia aérea seja essencial numa região ultraperiférica e com uma enorme diáspora

O que interessa é enfraquecer o Estado e a Autonomia, e maximizar a transferência de dinheiro dos trabalhadores (os que pagam os bilhetes) para os banqueiros e os especuladores.

O serviço de transporte aéreo vai ficar mais caro e de pior qualidade. É provável até que, a curto prazo, a SATA colapse, os aviões sejam vendidos, e os açorianos fiquem sujeitos às tarifas predadoras de uma qualquer low-cost. Mas até lá os Atlantic Connect Groups desta vida, mais os bancos que as manipulam, vão ganhar muitos milhões, saídos dos bolsos das pessoas comuns.

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