sexta-feira, 21 de agosto de 2026

O exemplo de Rabo de Peixe

 
Nos acontecimentos de Rabo de Peixe vejo solidariedade, vejo união. Vejo uma comunidade enraivecida contra um sistema que há décadas os discrimina, que mantém as causas estruturais da sua pobreza. 

Um sistema que é invisível quando tantos são empurrados para o pesadelo das drogas, mas que está pronto para punir aqueles que não vêem outra saída que não seja o tráfico dessa mesma droga. 

Ouço saudar a polícia e invocar a lei. Não tenho dúvida que houve desrespeito da lei. Mas a criminalização das drogas é iníqua, mais ainda na versão portuguesa, feita para safar os filhos dos “meus senhores”, que consomem, enquanto trama os filhos dos “outros”, que lhes vendem o produto. 

Tudo enquadrado num sistema de justiça com dois pesos e duas medidas, um para os ricos e outro para os pobrezinhos. 

As pedras atiradas às viaturas da polícia são o gesto de revolta de uma comunidade que ainda sabe que a defesa contra a injustiça e a exploração está na entreajuda e na solidariedade. 

Aprendamos com os bravos de Rabo de Peixe. Nunca é tarde.